Escolher a vida, sempre!
- 23 de jan.
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No livro “Viver é a Melhor Opção”, o ambientalista e jornalista André Trigueiro dedicou o último capítulo para retratar como o Espiritismo vê o tema do suicídio. Antes de aprofundarmos na questão, é preciso destacar três pontos que nos ajudam a entender como as escolhas que fazemos influenciam nossa evolução.
“Há um trabalho consistente, meticulosamente planejado por numerosa equipe no plano espiritual, que consome preciosos tempo e energia, antes de cada encarnação. A torcida por nós é grande, especialmente nos momentos difíceis, quando nos deparamos com o resultado de nossas escolhas menos felizes”, afirma Trigueiro.

Por isso, ele completa, para que haja mérito é preciso haver responsabilidade nas escolhas. “A vida é para ser vivida, e por mais difícil que seja a experiência, ela sempre será compatível com a nossa capacidade de lidar com o que aparece pela frente.”
É o que esses três pontos explicam:
Primeiro: para os espíritas, o livre-arbítrio é soberano. “Somos os construtores do nosso destino e ele se desdobra à nossa frente a partir das escolhas que fazemos a cada instante”, aponta.
O segundo ponto a se levar em consideração é a lei de causa e efeito. “Tudo de bom ou de mau que fazemos se volta pra nós, para que tenhamos plena consciência do alcance de nossos atos e nos sintamos progressivamente responsáveis por eles”, pondera o jornalista, ressaltando que cada débito que geramos em uma existência será pago em outras reencarnações, no tempo e em quantidades necessárias, visando sempre a evolução espiritual.
E, terceiro, a questão do autoextermínio inconsciente ou indireto, provavelmente o que a maioria dos seres humanos não consegue perceber ou não aceita, que acontece quando realizamos ações que minam as funções vitais do nosso corpo físico. “Pode ser o cigarro, a bebida ou outra droga qualquer, lícita ou ilícita. Podem ser os excessos da alimentação, comprovadamente nefastos ao bom funcionamento do nosso metabolismo. Pode ser o sedentarismo exacerbado ou a busca frenética pela boa forma com uma carga de exercícios demasiadamente arriscada para a saúde.”

Nesse último prisma, a medicina da Terra avançou muito. E vem contribuindo para melhor compreendermos como a qualidade dos nossos pensamentos e sentimentos interferem na nossa saúde.
“Praticantes de yoga ou meditação, bem como pessoas de fé que cultivam a prática da oração, pertenceriam a grupos com sistemas imunológicos mais fortalecidos ou mais bem capacitados para responder metabolicamente a certas morbidades”, ressalta Trigueiro, que também destaca: “São preciosos os recursos da prece e da meditação, das leituras edificantes, da fluidoterapia e, se for o caso, dos serviços que disponibilizam gratuitamente apoio emocional e prevenção do suicídio, bem como os serviços terapêuticos adicionais. Ocupar-se com atividades úteis, de preferência auxiliando desinteressadamente o próximo, constitui precioso remédio para a alma, elevando a vibração, melhorando a sintonia, como reflexos importantes no humor e na autoestima”.
Levantando a máxima espírita de que “fora da caridade não há salvação”, o jornalista fez um chamado à autodoação: “Quando nos candidatamos a alguma obra voluntária ou assistencial, os minutos que dispensarmos na direção do outro são valiosos momentos de trégua em relação a questões que nos perturbam e angustiam. Nos distanciamos momentaneamente de nossa realidade íntima – eventualmente hostil ao nosso desejo de paz e serenidade – para nos conectarmos com as necessidades dos outros e reconfigurarmos o nosso equilíbrio”.

A seguir, destacamos alguns dos fundamentos espíritas que André Trigueiro trouxe à luz no livro “Viver é a Melhor Opção”. E que nos proporciona um melhor entendimento sobre como podemos ajudar a nós mesmos e ao próximo a evoluir espiritualmente:
Dimensão espiritual
“Tão importante quanto cuidar do corpo e da mente é entender a dimensão espiritual em que o problema do suicídio se resolve. Essa parte de nós que antecede a vida corporal e sobrevive ao colapso orgânico é, em síntese, a essência daquilo que somos, o espírito imortal. Não é possível falar de saúde integral sem considerarmos o transcendente, o princípio inteligente que anima o corpo físico e o usa como veículo nesta dimensão espaço-tempo.”
Livre-arbítrio
“Quando nossas decisões convergem na direção das leis que regem a vida e o universo, a existência flui como as águas de um rio que segue resoluto na direção do mar, enfrentando os eventuais obstáculos sem se deter neles, avançando sempre. Por mais difíceis que sejam as circunstâncias, nos sentimos integrados a um projeto maior que, bem entendido, nos acolhe e protege. Ainda que não tenhamos todas as respostas, confiamos no conjunto de forças que determinam o avanço do rio até seu encontro com o mar.”
“Quando nossas escolhas se dão de outra forma, ignorando esse software inteligente da vida, sofremos. Não é um aprendizado fácil. O fato é que não é possível assimilar tudo o que nos interessa em uma única existência. Assim, em sucessivas encarnações, regressamos ao planeta desempenhando diferentes papéis, em diferentes famílias, lugares do mundo, culturas e épocas.”

Reencarnações
“O objetivo das reencarnações é acumular conhecimento, sabedoria e discernimento daquilo que nos convém. A meta é evoluir. A evolução é entendida na doutrina espírita como uma lei do universo, que alcança indistintamente a tudo e a todos. E nenhum de nós evolui sem esforço. Sem trabalho, sem superar adversidades e enfrentar as próprias imperfeições.”
Evolução
“Ainda que não tenhamos hoje plena consciência dos passos que já galgamos nessa jornada evolutiva, já transitamos pelos diferentes reinos da natureza até alcançarmos a condição humana e, por merecimento, conquistarmos o direito de escolher o que nos pareça mais convincente. Dotados de livre-arbítrio, passamos a ser responsáveis por nossas escolhas, e isso não é pouca coisa.”
“Evolução é mérito, pessoal e intransferível. Cada escolha que fazemos determina maior celeridade ou vagar nesta fantástica caminhada. Se não é possível retroceder, há o risco de estacionarmos no degrau evolutivo onde nos situamos. É uma opção, da qual depois certamente nos arrependeremos pelo desperdício de tempo e energia, mas quem está no comando decide o que lhe pareça o certo.”
“Uma informação importante é que não podemos evoluir pelo outro. No máximo, podemos ajudá-lo a fazer ele mesmo as escolhas certas. E o que o Espiritismo considera uma escolha certa? Aquela que nos projeta na direção das mais importantes conquistas evolutivas: a paz, a felicidade e a alegria indefiníveis, que só os espíritos puros – após cumprirem essa mesma jornada evolutiva – conseguem experimentar.”
Força superior
“‘Vós sois deuses’, disse Jesus, assinalando a centelha divina que é parte de nós, justamente aquela onde reside a consciência, a voz interior, a inteligência suprema, e outras denominações que convergem na direção de uma força superior, a qual a maioria de nós ainda não compreende totalmente, mas já começa a ter alguma noção do que seja. Ela é a nossa bússola, o nosso senso moral, aquilo que nos indica o que é o certo, o caminho a seguir.”
Dor e sofrimento
“Estagiamos em uma faixa evolutiva onde ainda prevalece o egoísmo, o orgulho, a vaidade, o sensualismo, o apego à matéria e outras imperfeições que nos exaurem preciosas energias sem que o espírito imortal – após o desencarne – consiga realizar, na maioria absoluta dos casos, avanços consistentes na direção que importa. É a ‘porta estreita’, de que nos falou Jesus. ‘São muitos os chamados e poucos os escolhidos’, disse o Mestre, no entendimento de que a maioria de nós ainda se encontra vulnerável aos apelos da matéria e, por isso, acumula encarnações sem progressos significativos.”
Causa e efeito
“A chamada lei do retorno (ou lei de causa e efeito) determina que tudo de bom ou de mau que façamos se volte para nós, para que tenhamos plena consciência do alcance de nossos atos e nos sintamos progressivamente responsáveis por eles. A misericórdia de Deus está justamente nas oportunidades que nos oferece através da própria lei por meio das reencarnações.”

Apoio humano
“Como o Espiritismo não admite penas eternas, todos temos chance abençoada de nos recuperarmos e anularmos totalmente os efeitos negativos do ato suicida. Qual de nós já não terá passado pelo mesmo infortúnio nesta ou em outras vidas? Se conseguimos nos reerguer e seguir em frente não foi por que alguém nos acusou, ofendeu ou julgou. Foi porque alguém nos estendeu a mão, de forma solidária e amorosa. Essa rede de apoio é fundamental para que o suicida recupere a autoestima e dê o primeiro passo na direção certa. Mais amor cristão e menos preconceito. Caridade em lugar da condenação sumária. É o que se espera dos seguidores do espiritismo.”
“Em muitas situações, simplesmente ouvir o desabafo de uma pessoa aflita determina um bem maior do que interromper esse momento para ‘doutrinar’ quem está sofrendo. Reconheçamos o momento certo de agir e, com muito amor e respeito, sejamos nós o instrumento que eventualmente a espiritualidade maior utiliza para desanuviar uma crise, interromper a torrente de pensamento suicida, resgatar aos poucos a lucidez e a coragem de viver.”
Choque de realidade
“O estudo do autoextermínio pela doutrina nos revela ainda que o primeiro grande choque se dá quando o suicida percebe-se vivo, ou seja, quando descobre que a morte não existe (o fim da existência física é determinado pelo colapso orgânico do corpo que lhe servia durante a jornada terrena) e que a dor que o afligia foi potencialmente agravada pelas consequências de seu ato. Para quem procurava uma solução, o desapontamento é evidente.”
Reflexão
“Quantas vezes adiamos o nosso encontro com o trabalho edificante, com a caridade desinteressada, com o exercício das virtudes, com as atividades voltadas para os mais necessitados?”

Convite
“‘Eis um teste para saber se você terminou a sua missão na Terra: se você está vivo, não terminou’, ensina o escritor norte-americano Richard Bach. Sempre podemos fazer algo diferente em favor de nossa evolução espiritual. Por que não já?”




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