Para entender Ecologia Humana
- Luciano Lopes

- 26 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Quando decidiu escrever o livro “Ecologia Humana – Da visão acadêmica aos temas atuais”, o professor e pesquisador ambiental Ronaldo Gomes Alvim teve uma árdua tarefa pela frente. A falta de literatura específica no Brasil foi um dos empecilhos. E, pela amplitude do tema, chegou a pensar que o caminho seria parar de escrevê-lo. Felizmente, não desistiu.
O momento era de propor uma nova leitura sobre a Ecologia Humana, ciência que estuda as relações do ser humano - individuais e coletivas - no ambiente, a fim de incentivar uma mudança de paradigma em prol da vida.
O resultado é um livro realista sobre a perspectiva do desenvolvimento sustentável. O autor (leia mais abaixo) perpassa temas ligados à questão socioambiental e provoca reflexões filosóficas ao afirmar que qualquer alteração de hábitos é necessária, porém longa, árdua e que requer sacrifício de todos em escala global.
“Acredito muito na Ecologia Humana pela dimensão que ela ocupa dentro da área do saber”, destaca Alvim. “Tento mostrar ao leitor que as ações coletivas devem partir da necessidade urgente de conseguir mudar o futuro que nos parece sombrio”, ressalta ele, que é biólogo de formação, mestre em Educação Ambiental pela Universidad Nacional Experimental Ezequiel Zamora (Venezuela) e PhD em Biologia Social pela Universidad de Salamanca (Espanha).
“Ecologia Humana – Da visão acadêmica aos temas atuais” é um alerta, um novo despertar de consciência para que a sociedade reforce a busca pelo equilíbrio entre economia e ecologia. É o que mostram os trechos que compartilhamos com você a seguir:

Consumo
“Percebemos que o trio homem-finanças-natureza tem nos levado a concordar que criamos uma sociedade e um padrão de vida insustentável nos quais a mídia, cada vez mais presente em nossas residências, explora o valor de consumo como forma de facilitar a inserção do ator social à modernidade.”

Responsabilidade
“Acreditar na ação coletiva é, sobretudo, abafar o valor da responsabilidade individual, é tirar de si o sentimento de responsabilidade da sua força mediadora. É escolher a autoalienação para ser passivo, que o coloca como parte da irresponsabilidade, ainda que seu discurso diga o contrário.”

Valores
“Quando a ciência encontra a resposta ao problema, valores políticos, sociais, econômicos e religiosos impedem sua aplicação. Assim, uma opinião tende a negar a outra, mas ambas nos deixam com grandes dúvidas sobre o futuro, o que requer uma visão histórica e reflexiva sobre a evolução biológica e cultural da espécie humana.”
Crise social
"A crise social emerge de uma tensão que criamos ao longo dos últimos 200 anos, pela nossa cultura de alienação e desprezo aos ecossistemas. Quando resolvemos nos preocupar com a conservação e/ou preservação de uma espécie ou do meio físico-natural, só o fazemos quando há riscos de extinção."
Mudança de postura
"É o sentido emotivo que atrai o público à luta, e a dor inflama o ecologismo contra a perda. Mas, infelizmente, embora o indivíduo queira mudança de postura, não sabe como atuar, seja no sentido individual e/ou coletivo."
Quem é ele

Ronaldo Gomes Alvim é pesquisador associado ao Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP) e professor do Núcleo Interdisciplinar de Pós-Graduação (NIPG) do Centro Universitário Tiradentes (Unit/Alagoas). Além de atuar como parecerista em revistas nacionais e estrangeiras, é membro da Sociedade Brasileira de Ecologia Humana e secretário-executivo da Rede Latino-Americana de Ecologia Humana. Também é coautor do livro “Ecologia Humana – Uma visão global”, lançado em 2014.
Saiba mais: alvimrg.blogspot.com / alvimrg@yahoo.com.br



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